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Autocuidado materno e identidade: a importância de não se perder na rotina

Mãe e filha aplicando creme no rosto a natureza de cuidados com a pele.

A chegada de um filho é, sem dúvida, uma das transições mais profundas na vida de uma mulher. O nascimento de um bebê marca também o nascimento de uma mãe, mas, em meio ao turbilhão de demandas, amamentação, noites mal dormidas e a gestão do lar, é comum que a "mulher" que habitava aquele corpo comece a desaparecer. O autocuidado materno e identidade não são luxos, são pilares para uma criação saudável e uma vida equilibrada.


O Fenômeno da "Matrescência"


A antropóloga Dana Raphael cunhou o termo "matrescência" para descrever a transição psicológica e física pela qual a mulher passa. Assim como a adolescência, é um período de desorientação. A psicóloga clínica Dra. Alexandra Sacks, especialista no tema, afirma que "o conflito entre as necessidades do bebê e as necessidades da mulher cria uma tensão natural". Segundo ela, entender que é normal sentir falta da vida antiga ajuda a reduzir a culpa, permitindo que a mulher integre sua nova versão sem anular a anterior.


Por que a Identidade se Perde?


A rotina operacional da maternidade é voraz. O dia a dia exige que a mulher esteja em estado de alerta constante, priorizando o bem-estar do outro. No entanto, quando a função materna ocupa 100% do espaço psíquico, o risco de burnout parental aumenta drasticamente.

O pediatra e psicanalista Donald Winnicott introduziu o conceito da "mãe suficientemente boa". Ele defendia que os filhos não precisam de perfeição, mas de uma mãe que falhe de forma controlada para que eles aprendam a lidar com o mundo. Para ser essa mãe, a mulher precisa estar nutrida emocionalmente. Se você se esvazia para encher o pote do seu filho, em algum momento a conta não irá fechar.


Dicas práticas de autocuidado materno e identidade no dia a dia


Falar de autocuidado materno e identidade vai muito além de um banho demorado. Trata-se de manter vivos os interesses que te conectam com o mundo fora da bolha infantil. Pode ser o retorno gradual ao trabalho, a prática de um hobby, o cuidado com a estética ou o simples prazer de uma conversa adulta sem interrupções.



Para retomar esse espaço, considere estes passos:

  1. Rede de Apoio Ativa: Autocuidado sem rede de apoio é apenas mais uma tarefa na lista de afazeres. Delegue.

  2. Micromomentos de Prazer: Identifique o que te faz sentir "você". Seja ler cinco páginas de um livro ou ouvir um podcast de marketing enquanto o bebê dorme.

  3. Combate à Culpa: Entenda que um filho feliz precisa de uma mãe realizada. Sua satisfação pessoal é o melhor exemplo de amor-próprio que você pode dar a ele.



Não se perder na rotina exige esforço consciente. É um exercício diário de lembrar que, antes do "mamãe", existia — e ainda existe — uma mulher com sonhos, talentos e vontades próprias. Ao cuidar de si, você não está tirando tempo do seu filho; você está garantindo que a versão que ele recebe de você seja a mais inteira, vibrante e saudável possível.

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